A água é um bem precioso no meio-ambiente e um aliado importante no cotidiano de cada cidadão. Em casa ou no trabalho frequentemente lavamos as mãos, tomamos banho, lavamos a louça, a roupa e usamos a descarga do vaso sanitário. Toda essa água eliminada é chamada esgoto.
Quando você abre uma torneira de pia ou de chuveiro, ou aciona a descarga, está iniciando a formação de esgotos. Daí a necessidade de que cada morador pedir a ligação da sua residência à rede coletora para contribuir com a saúde pública e a recuperação ambiental, proteger a sua saúde e de toda sua família.
Os esgotos podem ser de origem doméstica, aquele que é formado pela utilização da água para fins domésticos, como lavagem de roupa, de utensílios de cozinha e de pisos, banho, descarga de vasos sanitários, entre outros; pluvial (água das chuvas) e industrial (água proveniente das atividades industriais e comerciais de grande porte, tais como shoppings, petroquímica, siderúrgicas, indústrias têxteis, matadouros, cervejarias, entre outros).
Quando toda essa água não recebe o devido tratamento, ela pode poluir rios e fontes, afetando os recursos hídricos e a vida vegetal e animal, ou, causar grandes danos à saúde pública por meio de transmissão de doenças.
Nos bairros onde existem esgotos ao ar livre ou fossa, o mau cheiro e a sujeira proliferam juntamente com o lixo, favorecem a reprodução de ratos, baratas e moscas e muitas bactérias prejudiciais a nossa saúde, causando um aumento de doenças, como verminose, hepatite, disenteria, leptospirose, cólera, dengue e muitas outras. Portanto, dois objetivos são fundamentais para o planejamento de um sistema de esgoto: a saúde pública e a preservação ambiental.
Cobertura
Tentando evitar esses danos à saúde pública e ao meio-ambiente, a Compesa dispõe de um sistema de esgotamento sanitário, que atende não só a uma boa parte da cidade do Recife e de sua Região Metropolitana (32%), como a várias outras cidades do Estado (20%).
ETEs são unidades onde o esgoto, após sair das nossas residências e passar pela rede coletora por meio de um longo sistema de tubos subterrâneos, é levado para ser tratado, podendo, assim, ser devolvido ao meio-ambiente e lançado em rios, lagos ou no mar.
Os processos de tratamento do esgoto podem ser físicos, químicos e biológicos. Entre os existentes, alguns são adotados pela Compesa em suas Estações de Tratamento – ETE’s: Decantador, UASB, Tanque Imhoff, Lagoa de Estabilização, Lodo Ativado com Aeração Prolongada, Valo de Oxidação e Biofiltro.
A rede de esgoto é um sistema fechado e operado no Estado de Pernambuco pela Compesa. São tubos de cerâmica ou PVC, normalmente com diâmetro de 15 cm, que coletam o esgoto nas casas e o transportam para uma estação de tratamento. A estrutura e função são diferentes das galerias de águas pluviais, caracterizadas por tubulações de concreto, geralmente com mais de meio metro de diâmetro, instaladas pelas prefeituras, que servem para escoar as águas das chuvas diretamente nos rios.
Ligar a rede coletora do esgoto à galeria de água pluvial, que tem grande volume de água pode obstruir e danificar as redes de esgoto. Este entupimento ou obstrução muitas vezes provoca retorno de esgoto pelos ralos e pias dentro das moradias. Por isso, é importante pedir que a própria Compesa efetue a ligação de esgoto para a rede coletora.
Para atender com a preservação do meio ambiente e à saúde pública, a Compesa, dispõe, no Estado, de várias estações de tratamento em operação. Só na Região Metropolitana do Recife são aproximadamente 30, sendo três dessas de grande porte: ETE-Cabanga, ETE-Peixinhos e ETE-Janga.
Primeira ETE a entrar em operação no Recife, em 6 de junho de 1959, ainda hoje configura o maior sistema do Estado. Depois de passar várias reformas e ampliações, desde o ano de 1972, atualmente o complexo tem capacidade de tratamento de 925 litros de esgoto por segundo, por meio de decantadores e biodigestores. Este é o principal responsável pela coleta, transporte, tratamento e disposição final do esgoto gerado na capital pernambucana.
O Sistema de Esgotamento Sanitário Cabanga é composto por uma rede coletora com 214 km de extensão, 17 estações elevatórias e uma Estação de Tratamento que abrange uma área de aproximadamente 1.718 hectares. Hoje, a estação atende cerca de 176.670 habitantes e todo efluente tratado da ETE Cabanga é lançado no Rio Jiquiá.
O Sistema de Esgotamento Sanitário Peixinhos é composto por uma rede coletora de aproximadamente 109 km de extensão, 13 estações elevatórias de esgotos e uma Estação de Tratamento, localizada na Av. Jardim Brasília, próximo ao antigo Matadouro de Peixinhos.
Os esgotos coletados nos bairros de Parnamirim, Casa Forte, Espinheiro, Hipódromo, Campo Grande, Torreão, Beberibe, Água Fria e Jardim Brasil são conduzidos para a ETE Peixinhos, com capacidade de tratamento de 395 litros por segundo, beneficiando aproximadamente 314.500 habitantes com o sistema de tratamento. Esta estação iniciou sua operação em 1972. O tratamento é do tipo secundário e utiliza o processo de filtração biológica. O efluente tratado da ETE Peixinhos é lançado no Rio Beberibe.
Inaugurada em 1981, a ETE Janga foi projetada para atender a uma população de 451.900 habitantes, localizada próximo a PE-22, junto ao Conjunto Residencial Maranguape II e usando o processo de tratamento de Lodos Ativados, a ETE Janga tem lançado seu efluente tratado no Rio Timbó.
Além desses sistemas, Recife conta com um conjunto de outras 18 pequenas estações de tratamento operando e com capacidade total de 302 litros por segundo. Dentre estes destacam-se a ETE-Mangueira, que utiliza o processo de Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente e tem a capacidade para tratar 32 litros por segundo, e a Fossa Coletiva de Roda.